As rendas senhora, as rendas… as flores ..

   Elsa Bettencourt
7 de novembro 2013
Podia ter ficado à janela vendo a cidade lá em baixo. Mas quem me segura, tendo o tal tempo, de sair e mergulhar nela. Fazer turismo num intervalo de trabalho. Fui aprender o que se faz num país que acarinha os seus artesãos e que apesar de ser imenso não se acanha em ir buscar o que de melhor e mais diferente se faz por aqui.
Num sobrado lindo na Rua José Maria Lisboa um Ponto Solidário que contém a raiz cultural deste Brasil Brasileiro. Raiz indígena. Raiz africana. Raiz lusa.
Barro. Madeira. Palha. Sementes.Rendas. Flores de pano. Panos de flores. Colares de contas. Insetos de metal. Ocarinas encantadas. Pega moça. Pega tudo.
Tudo se pega nesta casa.
Pega a simpatia de quem te atende e te explica. De quem quer saber qual a maior influência da mãe lusa.
As rendas, senhora. As rendas.
O resto já sabiam.
Adaptaram.
Transformaram.
A simpatia é toda vossa. Por ser também nossa.
O xingu explicado em português cantado.
O chá bebido fervendo depois da ampulheta amarela vazar.
Bolo de banana com canela.
Picolé italiano de limão siciliano.
Podia ter ficado à janela, mas a cidade me quis nela.
Eu obedeço. Agradeço. E sempre que posso, regresso.

( Obrigada Marilene. As tuas flores de Santa Teresinha, levaram-me lá )

2 comentários em “As rendas senhora, as rendas… as flores ..”

  1. Elsa Bettencourt

    Caríssima Casa Amarela.
    Foi um prazer encontrá-la no meio do betão paulistano.
    No rasto das flores de Santa Rita, até me enganei no nome da Santa ao ver que estava na morada certa.
    Ainda tenho as minhas folhas nas orelhas e já usei o apito para chamar os pássaros cá de casa. Adoraram, e os cães também.
    Fica a promessa de regressar aí sempre que puder, e aprender um bocadinho mais da história tão fantástica de cada artesão. Tudo isso seguido dum chá e duma passagem pelo museu xingu.
    Obrigada pelo carinho com que nos receberam.
    Um abraço do lado de cá.
    Elsa

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