Mestre Zé Lopes - bonequeiro e mamulengueiro

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José Lopes da Silva Filho (artesão)
Pseudônimo: Mestre Zé Lopes
Biografia:
“José Lopes da Silva Filho, o Mestre Zé Lopes, nasceu no dia 21 de outubro de 1950, no sítio Cortesia, em Glória do Goitá, cidade da zona da mata de Pernambuco. Desde criança começou a se interessar pelo mamulengo, sendo levado por seus tios Chico e Zé, que também brincavam, para assistir a todas as apresentações nas redondezas. Entre os primeiros mestres que conheceu estão Zé Grande, Severino da Cocada, Luis da Serra e Zé di Vina.

Depois dos espetáculos, Zé Lopes costumava fazer pequenos bonecos de mandioca ou pinhão e mais tarde montou uma barraca onde fazia apresentações para o povo do sítio Aos doze anos começou a fazer bonecos maiores, semelhantes aos dos mestres, a quem continuava a assistir assiduamente, sobretudo Zé di Vina. Aos quinze anos, chegou a fazer um mamulengo completo, com mais de setenta bonecos, e começou a se apresentar com seu tio Chico e, eventualmente, com outros mestres. Nessa época, Zé Lopes brincava como folgazão, ou seja, nada falava, apenas segurava os bonecos. A primeira passagem que apresentou foi a briga de Joaquim Bozó com João Redondo da Alemanha e não teve muitas dificuldades, pois, conforme diz, ‘briga é mais fácil’. A platéia gostou muito, e a partir de então Zé Lopes começou a brincar mais, vindo depois a ser contramestre de Zé di Vina.

Com dezesseis anos, vendeu seu mamulengo para Zé di Vina e foi morar no Recife, onde trabalhou numa serraria. De Recife partiu para São Paulo e lá morou por doze anos, trabalhando em uma metalúrgica, em uma fábrica de móveis e em uma serraria. Ainda em São Paulo, conta ele, fez certa vez cinco bonecos, e lhe bateu forte dentro do peito a vontade de voltar a brincar. No final de 1981, voltou a Pernambuco e recomeçou a brincar de mamulengo.

O Mamulengo Teatro do Riso estreou no dia 2 de dezembro de 1982, na festa de Nossa Senhora da Conceição, em Glória do Goitá, tendo como mestres Zé Sales, Zé da Banana, Zé di Vina e o próprio Zé Lopes – ‘eu fui bom aluno, assisti, e de repente passei a ser mestre’.

Desde então, Zé Lopes tem-se apresentado em diversas localidades do interior de Pernambuco e dos estados vizinhos, assim como em Olinda e Recife. Em 1997, apresentou-se em algumas cidades de Portugal e Espanha, aí incluídos a Bienal Internacional de Marionetes de Évora e o Festival Internacional de Teatro de Títeres de Segóvia.

Seus espetáculos ocorrem em dias de festa, normalmente em dias santos, ou em época de campanhas eleitorais, de vacinação ou de amamentação, sendo em geral contratado por prefeituras de cidades do interior ou por políticos em campanha, ou, ainda, por proprietários de sítios. Costuma também ser chamado por comerciantes que desejam estimular o movimento de seu estabelecimento, usando o mamulengo como chamariz.

Em certas épocas do ano, principalmente no inverno, são raros os pedidos, o que o obriga a trabalhar como pedreiro numa cidade vizinha a Glória do Goitá, Limoeiro, para completar o orçamento da família, composta por sua mulher, Neide, e as filhas, Cida e Larissa”.

“O material mais utilizado é a madeira, especialmente o mulungu, embora alguns bonecos possam ser feitos também de imburana ou tambô. O mulungu, extremamente macio, é usado na confecção da cabeça e dos braços, nos bonecos de luva, ou do corpo inteiro, no caso dos bonecos de vara. Além da madeira, são utilizados ainda cola, massa, tinta e esmalte, para o acabamento; pregos, elásticos e pedaços de plástico para as articulações e detalhes como dentes ou adereços; e tecido e linha para as roupas”.

(ABREU, Maria Clara Cavalcanti de, ALCURE, Adriana Schneider e PACHECO, Gustavo. Teatro do Riso: Mamulengos do Mestre Zé Lopes, 1998)