Raco-raco chupa pedra - o som do barro - mestre nado - PE

"Qual considera que seja o papel do ritmo, seu ofício, na riqueza cultural brasileira? A percussão é o símbolo da vida. Se o coração não bater, não tem vida. O ritmo dá vida, porque cada povo tem o seu. Se você cantar uma música para um americano, ele vai bater palmas no contratempo. Nós bateremos no tempo. Isso é orgânico. Cada povo tem seu tempo, sente o ritmo de um jeito diferente. Na Noruega tem muita neve, por isso as notas são longas, o tempo do ritmo é mais comprido. Aqui tem feijão, dendê, esse negócio todo. Somos o resultado dessa rica mistura. Graças a Deus, somos o que somos. Não parecemos com nada e, por isso mesmo, parecemos com tudo." Entrevista com Naná Vasconcelos João Rocha Rodrigues (fonte Almanaque Brasil)

Sob encomenda

Esgotado

Mestre Nado é dos artistas mais habilidosos no manuseio da argila. Ele ficou famoso quando passou a utilizar o barro para criar instrumentos de sopro. Sua primeira criação, a ocarina (que significa casa de som), surgiu por um acaso. "Gostava de pegar o barro e moldar pequenas bolinhas ocas. Comecei a fazer furos e vi que poderia tirar som daquela bola. Foi quando me dei conta de que havia resgatado um instrumento musical muito antigo que era feito na áfrica com uma espécie de fruta africana que ao ficar inchada (entre verde e madura), emitia um som grave se fosse furada no meio", explica.

Depois dessa descoberta, o mestre passou a pesquisar a fundo o assunto e começou a criar novos instrumentos. Surgiram então as Flautas Nado (que já tem sete versões), os Maracas, o Raco-raco e o Bum D'água. Todos feito a partir do barro.

GENIAL - Seu interesse pela música aumentava a cada dia e, de escultor, Nado passou a ser compositor e começou a fazer cirandas e outras canções que eram executadas em suas criações. Entre uma apresentação e outra, e diversas exposições culturais, o mestre das ocarinas foi descoberto e começou a lançar seu estilo para o mundo a fora.

Músicos famosos já começam a inserir, com sucesso, os instrumentos do Mestre Nado nas performances de seus shows. Milton Nascimento, Ney Matogrosso e os pernambucanos Antônio Carlos Nóbrega e Antúlio Madureira são exemplos do sucesso e da genialidade do ceramista que já vendou suas obras na Alemanha, França e Itália. "Uma vez um francês me encomendou 1,3 mil ocarinas, juntei toda a família ensinei os meus filhos e conseguimos confeccionar os instrumentos. Com essa venda comprei um carro usado e reformei minha casa", lembra.

 Veja aqui o vídeo do instrumento

Assista  aqui o documentário - Mestre Nado e sua arte do barro

Comprimento 34 cm

 

 

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