Cerâmica do Vale do Jequitinhoa

CÊRAMICA DO VALE DO JEQUITINHONHA

O Vale do Jequitinhonha situa-se no Norte do Estado de Minas Gerais – MG, sendo banhado pelo rio Jequitinhonha e seus afluentes, tem uma população de aproximadamente 1 milhão de pessoas e é considerada uma das regiões mais pobres do Brasil.
A maior parte do solo é árido sendo castigado regularmente por secas e enchentes. 75% de sua população vive numa área rural praticando agricultura e pecuária.
Os mais ceramistas são: Isabel Mendes da Cunha; João Pereira de Andrade; Glória Maria; Ulisses Pereira Chaves; Noemísa Batista da Silva; Raimunda da Silva (D. Mundinha); João Alves e Dona Pedra.
No Vale produz-se um excelente e criativo artesanato em: Cerâmica, tecelagem, cestaria, esculturas em madeira, trabalhos em couro, bordados, pintura, desenho e música.
Os trabalhos com barro no Vale iniciaram-se com a confecção de peças utilitárias que eram feitas pelas mulheres chamadas de paneleiras. A tradição manteve-se através das gerações – bisavós, avós, mães e filhas. Fazem moringas, vasilhas, panelas, potes etc, tudo com uma marcante influência indígena. Com o passar do tempo passaram a produzir peças decorativas “de enfeite” como dizem. Figuras humanas, animais, cenas do cotidiano, tipos, usos e costumes da região.
No processo usam rudimentares fornos a lenha, a técnica dos roletes (cobrinhas), ao invés do torno de oleiro, placas e toscas ferramentas. Os pigmentos usados na decoração (pinturas) são naturais extraídos dos barros encontrados nas
muitas jazidas de argila da região.
Os pigmentos usados na decoração são naturais, extraídos de barro, encontrados nas diversas jazidas de argila da região. Na técnica usada para fazer a cerâmica, usa-se o forno a lenha.

No processo, usam rudimentares fornos a lenha, a técnica dos roletes (cobrinhas), ao invés do torno de oleiro, placas e toscas ferramentas.

A grande melhoria na vida dos artesãos, ocorreu na década de 70, com a criação da CODEVALE – Comissão de Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha. A entidade recolhia a produção dos artistas e revendia os produtos, principalmente em Belo Horizonte. Esta atuação oficial incentivou bastante o artesanato, trazendo uma significativa melhor no nível de vida dos moradores.
No Vale do Jequitinhonha, produz-se um excelente e criativo artesanato em Cerâmica, Tecelagem, Cestaria, Esculturas em Madeira, Trabalhos em Couro, Bordados,Pintura,Desenho,Música.

Os principais pólos das atividades de cerâmica são as cidades: Itinga, Araçuaí, Santana do Araçuaí, Turmalina, Caraí, Itaobim, Taiobeiras, Padre Paraíso, Joaíma e Minas Novas.
Os trabalhos no Vale iniciaram-se com a confecção de peças utilitárias que eram feitas pelas mulheres chamadas de paneleiras. A tradição manteve-se através das gerações: bisavós, avós, mães e filhas. Fazem moringas, vasilhas, panelas, potes etc. Tudo com uma marcante influência indígena. Produziam também figuras para adornar Presépios e brinquedos utilizados pelas crianças.
Com o passar do tempo, passaram a produzir peças decorativas “de enfeite” : figuras humanas, animais, cenas do cotidiano, tipos, usos e costumes da região.
COMO É FEITA A CERÂMICA
Os materiais argilosos apresentam grande variedade de tipos e composições.
O barro é coletado na beira de córregos ou lugares úmidos. Os índios falam que, quando o arco íris aparece por cima do Igarapé, nas suas extremidades se acha argila boa para fazer cerâmica. As mulheres transportam argila em cestas e guardam em baixo de um jirau, coberta com folha de bananeira.
Todo barro, antes de ser utilizado, é amassado e examinado para constatar sua pureza, consistência e umidade. A textura é obtida com o acréscimo da cinza (pó) da casca do pau caripé. Estas cascas são queimadas e trituradas num grande cocho (vasilha feita de um tronco de árvore cavado). As cinzas são colocadas na argila e molha-se a mistura de pó com argila. Esta massa é amassada com as mãos, acrescentado mais cinza e água. O processo continua até que a cinza desapareça totalmente da massa e esta tenha a textura ideal. Para saber se já está boa para usar faz o seguinte: prova-se a massa para constatar se ainda está bem preta , está pronta para ser utilizada.
A massa repousa sempre sobre as folhas de bananeira. A ceramista amassa uma quantidade dela para fazer a base da vasilha ou seja, o fundo do vaso.
O alisamento preliminar do vaso, feito com os dedos, começa quando uma boa parte do vaso está pronta. O alisamento final se faz com um pedaço de cabaça ovalada.
O alisador é molhado com saliva ou água. O alisamento interno e externo se faz no sentido horizontal. Inicia-se na parte superior interno e termina na base.
Quando a peça está quase seca, passa a ser polida com um coco de jarina e é posta diretamente ao sol. Coco de jarina é um tipo de palmeira baixa amazônica.
Para queimar o vasilhame, a fogueira é disposta da seguinte maneira: uma camada de lenha; uma de um determinado tipo de pau; as vasilhas; e mais uma camada de casca, cobrindo todas as vasilhas.
As vasilhas ficam uma hora e meia queimando o tempo da fogueira apagar.
Logo depois, pintam, ou seja, colocam pigmentos na cerâmica. E os pigmentos são todos naturais retirados do barro feito à cerâmica antes de queimar o barro.
VENDA DOS PRODUTOS
O dia de vendas é sempre especial para os artesãos que habitam a Fazenda Campo Alegre, às margens do rio Fanado, a 21 km da cidade de Turmalina. Em sua maioria, as mulheres. Os artesãos e seus filhos saem de suas cabanas nas grotas, carregando vasos, potes, moringas, cestas, jarras,“galinhas”,“bonecas”, “pássaros”, “bois”, “sereias”, “igrejas”.
Pelos morros, veredas e ladeiras chegam equilibrando na cabeça, suas mercadorias, até uma área de chão batido, ode expõe as peças. O terreiro fica enfeitado, preparado para a transação comercial, que pode arrastar-se por um dia inteiro. É grande a variedade de formas, de combinações entre a cerâmica utilitária e a ornamental, entre homens e bichos, animais e vegetais (galinhas com pés no formato de bolas, jarros e potes ornamentados com flores e alças, moringas com forma de pássaros, bois e homens, moringas com quatro cabeças laterais voltadas para um pássaro que fica em cima, ao centro, sereias de vários tamanhos e cores, etc).

Fonte: http://www.artdbrasil.com.br/com_12.asp